• Texto idealizado por Nancy Cavicchioli
    e interpretado por Waldir Persona,
    no encerramento do

    VI Seminário de Cultos Afro-Brasileiros

    realizado pela Federação Luz e Verdade,

    em novembro de 2001,
    em homenagem a Aparecido Garcia,

    que fez sua passagem, em 5 de outubro do mesmo ano.

     

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Homenagem

VI Seminário de Cultos Afro-Brasileiros
25 de novembro de 2001

 

O Homem e sua Obra.

Falo de uma obra de vida.

Aquela que se leva quase toda uma existência assentando tijolo por tijolo, com calma e segurança.

O Homem e sua obra.

Sim, porque o que se leva desta vida são as impressões e as lembranças do que vivemos. E principalmente do que realizamos.

Realizar é muito importante. O que é realizado permanece, e um grande homem será lembrado por aquilo que realizou.

O tempo urge; o dia é hoje; a hora é agora. O minuto seguinte é muito tempo, está muito longe. O amanhã então, nem se fale!

Mas, o que dizer do Homem e sua Obra!

Mais do que palavras, a própria obra fala por si só.

Este evento é prova disso. E é apenas uma parte da obra idealizada por um homem simples, de hábitos e costumes simples.

Homem íntegro, honesto e sincero nos seus propósitos e opiniões. Alguém que idealizou ver a nossa religiosidade colocada num patamar bem alto, sendo respeitada por todos.

Mais do que um sonho, esse homem concretizou uma obra grandiosa.

Não construiu grandes templos, suntuosos, luxuosos. Não, isso não.

Nem tampouco conseguiu amealhar fortuna. Isso também não. Até porque, não lhe sobrava tempo para correr atrás de fortuna.

Mas sua obra é grandiosa porque no coração de muitos, deixou sua marca calcada bem lá no fundo, para nunca mais sair.

Quem não se lembra daquela presença serena, tranqüila e ao mesmo tempo imponente e austera, atrás da mesa coordenando as palestras durante todo um dia, como o de hoje!

Sorriso aberto, franco; coração de menino – brincalhão.

Para cada um, sempre teve uma palavra, um carinho, uma atenção, um simples gesto, um sorriso. Para todos; sem exceção.

Sua obra é grandiosa porque conduziu com aquele jeito de quem não quer nada, durante mais de vinte anos no bairro do Tatuapé, a casa espiritual que dizia não ter comandantes, nem comandados.

É, meu velho! A verdade é que o grande comandante está fazendo muita falta!

Mas, a semente de seus ensinamentos certamente dará bons frutos.

Pai Cido – você nos faz muita falta. Suas palavras, seus conselhos, suas piadas e brincadeiras. Sua simples presença.

Seus estouros, suas broncas. Ah! Oxalá, que falta tudo isso nos faz.

Mas a certeza de que Oxalá reinava naquela coroa nos acalenta. Sim, porque até na hora da grande viagem, Oxalá provou ser o soberano daquele Uri.

Foi logo nas primeiras horas da manhã de uma fatídica sexta-feira, que se abriu em nossos corações e almas, um enorme buraco provocado pela saudade.
Nunca mais seu abraço forte, a palavra amiga, o conselho sábio.

Nunca mais Pai Zulu, Seu Zé do Cariri, Seu Marabô, Dr. Adolfo, Dr. Carlos.

Nunca mais o axé vigoroso e revigorante de Bàbá Olufon. Nunca mais!

Por vezes a revolta toma conta de nossos corações.

Mas a razão se restabelece e pedimos perdão ao criador, por nossas fraquezas, por sermos ainda tão frágeis diante da única certeza de nossas vidas – a morte.

Resta-nos, então, apenas dizer: Adeus, Meu Velho!

Não, não! Adeus não!
Adeus é muito tempo e isso não dá prá agüentar.

É melhor dizer: Até Breve – Companheiro!

O que nos abranda a alma é a certeza de que um dia, estaremos juntos novamente, com você forte, alegre, sorridente e contando piadas.

Mas, enquanto esse dia não chega, daremos continuidade à obra que você iniciou e tão bem realizou.

Foi bom demais conviver com esse ser tão iluminado, tão preparado para tudo, inclusive para “aquele dia”.

E, agradecemos a Oxalá por nos ter permitido estar juntos aqui hoje, pois, sem sombra de dúvidas, você Pai Cido, esteve todo o dia ao nosso lado.

Obrigado Pai Cido, por ter incutido nos corações de seus filhos, a necessidade de prosseguir.
Esteja certo, companheiro, que todo o seu sacrifício, sua luta, suas brigas e noites sem dormir, não foram em vão.

Segue seu caminho, amigo de sempre.

Segue seu caminho, mas não se esqueça de nós.

Porque nós, com toda certeza, não deixaremos de pensar em você, nem um único dia sequer.

Continue zelando por nós!

Axé!